Pela primeira vez em Guarulhos, desde a sua fundação em1560, houve um
Congresso Internacional sobre Recursos Hídricos na Universidade
Metropolitana de São Paulo (UNIMESP), antiga Fig
da Vila Rosália.
O tema fundamental foi: Water research and management do IAP Programme,
onde estavam 60 cientistas vindos, de praticamente, todos os países da
três américas, desde o Canadá até a Argentina.
O evento se deu nos dias 24 a 29 de julho de 2006.
A língua de discussão nos trabalhos era o inglês, que é o latim da época
dos romanos. Os povos latinos de língua espanhola possuem dificuldade em
entender o português; a melhor comunicação é feita em inglês.
As mudanças climáticas me chamaram a atenção porque nosso conhecimento
sobre o assunto é vago e impreciso.
Vários climatologistas, metereologistas e matemáticos expuseram os seus
trabalhos e o resumo que faço é assustador.
Primeiramente a suspeita que se tinha, há uns 5 anos, é que estaria
havendo aquecimento global já é uma realidade, pois o planeta Terra está
se aquecendo devido aos gases do efeito estufa, causado
principalmente pelos Estados Unidos, que não aderiu ao Protocolo de
Quioto feito em dezembro de 1997, no
Japão.
Mesmo que o governo brasileiro resolva a partir de hoje não deixar
cortar um pé de árvore, a região Leste toda da Amazônia, até o fim do
século XXI, será destruída. Virará uma savana, um cerrado e a
região central do polígono das secas no nordeste, se tornará um deserto
como o Saara.
Existem 4 tipos básicos de modelos climáticos, desde os balanços
energéticos, os modelos de 1-D dimensão, 2-D dimensões e 3-D dimensões.
Os modelos mais complexos necessitam de supercomputadores.
Há 6 modelos climáticos que os metereologistas usam e todos coincidiram
com a savanização do leste da Amazônia. Mesmos os modelos mais otimistas
como HADCM3 e o mais pessimista GFDL tiveram, para a região Amazônica, a
mesma resposta: savanização do leste da Amazônia.
A floresta Amazônica estava devastada em 0,5% em 1970 e em 2006 está 20%
devastada!
Isto foi salientado pelos irmãos doutores: Carlos Nobre e Paulo Nobre.
O Dr. Eneas Salati, brasileiro, salientou que
quando começou a estudar as mudanças climáticas, achava que o assunto
seria para os seus netos. Depois verificou que seria para seus filhos e
agora está vendo que o assunto é para ele mesmo, pois as mudanças
climáticas estão ocorrendo já no mundo todo.
O matemático Pedro Leite da Silva Dias viu, nos Estados Unidos, os
diversos modelos matemáticos, sendo que todos prevêem a destruição total
do leste da Amazônia. Disse que quando tomou o avião para voltar ao
Brasil estava passando o filme “The day after”, que fala do dia seguinte
em que toda a humanidade foi destruída por
bombas atômicas. Não teve reação nenhuma, pois pensava tristemente na
nossa Amazônia.
As mudanças climáticas são uma nova ferramenta que os grandes
projetistas de áreas muito grande terão que se defrontar.
Para citar um exemplo, quando foi construída a barragem de Itaipu,
usou-se dados de 1950 e 1960. Com o passar do tempo houve um aumento de
cerca de 15% na precipitação em toda a bacia do Paraná e se colocaram
mais turbinas. A atual tendência é que as chuvas estão voltando ao que
eram em 1950 e então a oferta de energia
elétrica irá diminuir de Itaipu em cerca de 15% e teremos problemas
energéticos dentro de poucos anos.
As incertezas que nos levam a mudança climática, nos levará a investir
em usinas de energia atômica, que independem da quantidade de água, pois
hoje 85% da nossa energia elétrica vem das nossas hidroelétricas.
No sul e sudeste do Brasil as previsões até o ano 2100 é que o aumento
de temperatura será entre 3ºC a 5ºC. A evaporação irá aumentar e com
isto teremos chuvas mais intensas e regiões de seca e, para o
planejamento de grandes áreas, será necessário analisar os eventos
extremos (enchentes e secas), influenciando
também o uso do solo. Muitas barragens terão que refazer os extravasores
para os eventos extremos, que aumentarão muito.
O
derretimento do gelo ártico, por exemplo, diminuirá a salinidade dos
oceanos causando problema no transporte de calor, podendo haver mudanças
climáticas impressionantes em toda a Terra.
Na França morreram, no ano passado, 15.000 pessoas devido a onda de
calor.
As geleiras dos Andes desaparecerão até o fim dos anos 2030, só ficando
gelos nos altos cumes.
O impressionante nas mudanças climáticas é que o Brasil sozinho não pode
resolver o problema. Vamos ficar esperando e ver a destruição da
Amazônia sem podermos fazer nada!
Protocolo de Quioto (Fonte: Senado Federal-Brasília 2004)
Realizado em 1997, no Japão, em que todos os países devem reduzir em 5%
aos níveis de 1990, com as emissões de gases de efeito estufa. Somente
os Estados Unidos e a Rússia são responsáveis por 57% das emissões de
CO2 e não assinaram o chamado protocolo de Quioto.
Até 2100 está previsto, no protocolo de Quioto o aumento na temperatura
média da superfície terrestre de 1ºC a 3,5ºC e aumento do nível médio do
mar de 15cm a 90cm.