Agosto 2008.
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Mensagem do  Diretor  do R.I.
Themístocles A. C. Pinho

Diretor RI 2007-09

 

Caros companheiros e companheiras,
 

O Rotary dedica o mês de agosto à promoção do desenvolvimento de seu quadro associativo e à expansão rotária, com a criação de novos clubes – sobre este aspecto temos um vasto campo de argumentações, certamente com prós e contras.
No entanto, antes de nos atermos ao tema específico deste mês, achamos que um outro assunto, de tanta relevância quanto este (e que, podemos afirmar, é a sua natural conseqüência), deverá merecer nossa rápida atenção: a internacionalidade do Rotary International.
Um dos elementos caracterizadores de nossa organização centenária de prestação de serviços, e talvez o mais importante, a internacionalidade do Rotary demonstra quão vasta é a influência e a penetração de nossa organização em todo o mundo livre, procurando envolver todos aqueles que a ela se associam, sem diferença de credos, raças ou costumes, e nos dando a certeza de que o quadro associativo constitui-se numa peça angular na prestação de serviços.
Recentemente, ao iniciar este novo ano rotário, pude sentir bem de perto o quanto é ampla a dimensão desta internacionalidade. Refiro-me à composição do Conselho Diretor do Rotary International para o período 2008-09. Em torno de uma mesma mesa, num dia muito especial, quando se fazia a troca da direção do Rotary, constatamos a participação de nada menos do que 14 países ali representados: a Coréia do Sul, pelo presidente Dong Kurn Lee; a Irlanda, pelo presidente-eleito do RI, John Kenny; o Canadá, pelo vice-presidente Monty J. Audenart; a Bélgica, pelo tesoureiro Bernard L. Rosen; e completando a Comissão Executiva, os diretores Paul A. Netzel, dos EUA; eu, Themístocles A. C. Pinho, do Brasil; e Kauhiko Ozawa, do Japão. Seguiram-se ainda os diretores R. Gordon R. McInally, da Escócia; Ashok M. Mahajan, da Índia; Michael J. Johns e Thomas A. Branum Sr., dos EUA; e os recém-empossados Lars-Olof Frederiksson, da Finlândia; José Alfredo Sepúlveda, do México; Michael Colasurdo Sr., Eric E. Adamson e Philip J. Silvers, dos EUA; Catherine Noyer-Riveau, da França; John Melvyn Lawrence, da Austrália; e Jackson San-Lien Hsieh, de Taiwan. Uma grande prova da internacionalidade do Rotary e uma verdadeira amostragem do universo rotário. Idiomas, culturas e raças totalmente diferentes em torno de uma mesa, com todos voltados para um mesmo ideal: Servir na busca de um bem comum – a paz.
Só através desta internacionalidade (em que as diferenças se complementam, as opiniões divergentes se convergem, e o bem maior representado pelo Dar de Si Antes de Pensar em Si se torna algo mensurável e facilmente palpável) é que nossa organização mundial de prestação de serviços se justifica.

O desafio do quadro social
A partir desta constatação, voltamos às origens desta mensagem. Muito já se falou, e muito ainda se fala, sobre o quadro associativo do Rotary, inclusive que ele é de capital importância para a sobrevivência da nossa organização e que sem ele nada se poderá realizar. Mas, companheiros e companheiras, amigos todos: será que estamos sabendo fazer com que as nossas comunidades sejam representadas em nossos clubes através de pessoas qualificadas e que possam, efetivamente, fazer parte do Rotary?
Esta é a pergunta que alguns poucos fazem, mas que todos nós certamente deveríamos responder. Essa é uma obrigação e um exercício permanente dos rotarianos e rotarianas: trazer para o nosso convívio rotarianos em potencial, profissionais e empresários de diversos matizes, proporcionando a devida e necessária mescla de opiniões e experiências. Homens e mulheres que disponham de verdadeiras condições não apenas para ingressar nos clubes rotários, mas principalmente para neles permanecerem e participarem da prestação de serviços voluntários.
Desta forma, devemos proporcionar àqueles que engrossam nossas fileiras a oportunidade de prestar serviços desinteressadamente, contribuindo para minorar as agruras das comunidades que nos cercam e, de igual forma, das comunidades mais distantes, visando melhorar a paz no mundo, a confiança na inter-relação pessoal, profissional e empresarial; a moral, a ética e a valorização da família. Por norma e consenso, a base da nossa organização são os clubes, e é a partir deles que todo o processo se desenvolve – e, particularmente, através da execução de projetos bem-sucedidos.
Um alerta, porém, se faz necessário: não basta admitirmos novos associados. Nossa principal preocupação deve ser a de apoiar e ajudar os rotarianos recém-admitidos, envolvendo-os nas tarefas dos clubes e distritos, e assim transmitindo-lhes ânimo e oportunidades para que se sintam úteis e possam visualizar no Rotary tudo aquilo que lhes fez aceitar o convite para fazer parte de um clube rotário. Seria impossível um clube funcionar e servir se não contasse com membros dinâmicos e motivados, mas isso não é tudo. Todos nós somos responsáveis pelo presente e pelo futuro do Rotary International. Devemos plantar novas idéias e Realizar os Sonhos, assim como é nosso compromisso solidificado, cada vez mais, aumentar de maneira expressiva nosso quadro associativo.

Rompendo a barreira
O boletim de um clube publicou a seguinte frase: “Cada vez que um homem ou uma mulher se associa a um Rotary Club, aumenta a mútua compreensão humana”. Num mundo cheio de ódio, incompreensões e absurdos, necessitamos de todas as pessoas em cujos corações palpite o Ideal de Servir. Também não devemos ter medo de preconceitos e opiniões facciosas, que por vezes dominam determinados segmentos de nossa organização e só servem para impedir o necessário e franco crescimento do quadro social.
O aumento do quadro de associados é um tema comum nas reuniões dos clubes. As opiniões, naturalmente, divergem, com alguns apoiando e outros lançando observações do tipo “Outra vez o mesmo assunto...”, mesmo que por puro egoísmo – pois a admissão de novos associados faz com que alguns temam a usurpação de sua liderança, quer seja por preconceitos infundados ou pelas mais variadas formas.
O Rotary pode ser comparado a uma empresa. As empresas buscam constantemente a ampliação e o crescimento de seus negócios, e para tal necessitam de mais recursos financeiros, de mais capital, para aumentar os lucros e a rentabilidade. Assim também ocorre no Rotary, com a diferença de que o seu capital é o associado, e que esse deve ser o foco permanente do trabalho rotário.
Há mais de dez anos observamos que, em relação ao quadro social, os números vêm se mantendo constantes, na casa dos 1,2 milhão de associados, o que significa que o ingresso de novos membros nos clubes se equivale às demissões. Por que essa situação? Alguns alegam razões como custos, falta de tempo, de participação, além de outras mais, apresentadas como justificativas, mas verdadeiramente sem uma explicação plausível.
Assim, o presidente do RI neste ano rotário, Dong Kurn Lee, nos faz um desafio: temos que romper a barreira dos 1,2 milhão de associados, atingindo um novo patamar de 1,3 milhão. Isso é possível? E como fazer?
Estamos convictos de que essa meta será cumprida através da promoção da verdadeira integração dos novos associados e da revitalização dos clubes; com a execução de projetos eficazes, que sejam de interesse daqueles para os quais são direcionados; e, finalmente, permitindo que cada rotariano e rotariana possa complementar-se, tornar-se útil, dentro de suas possibilidades, características e vontade. Nada que venha “de cima para baixo”, como imposição, pode durar ou muito menos prosperar. O trabalho rotário, por definição, deve ser voluntário. E como tal, não há lugar para outras formas que não sejam as resultantes do consenso, da vontade comum e coletiva. Se agirmos assim, os resultados virão e da forma esperada.

Algumas conclusões
A esta altura, não é demais lembrar que, por ocasião da primeira reunião do novo Conselho Diretor do Rotary International para o período 2008-09, ao serem examinadas as causas e condições em relação às metas para o quadro associativo, três foram as conclusões que o grupo apoiou e que, por suas características, podem ser definidas em três campos distintos:

A primeira, de caráter administrativo, propõe um maior entrosamento entre os vários níveis de atuação (diretores do RI, governadores distritais e coordenadores regionais do Quadro Social), particularmente com vistas ao aumento em 33% do número de sócios que trazem novos associados para os clubes;

A segunda dá atenção a um importante segmento do quadro associativo: as mulheres – e incentiva o aumento do nosso número de sócias dos atuais 15% para 18%;

E, finalmente, a terceira conclusão, de natureza prática, que visa promover a retenção de 96% do quadro de associados, contribuindo desta forma para que esse processo de quase equiparação do número de admissões e de demissões, há vários anos em andamento, entre em colapso.

Na verdade, essas metas (e tudo mais em relação ao quadro associativo) deverão ser perseguidas por todos e por cada um de nós, tendo por escopo fundamental a proposta do presidente Dong Kurn Lee – que, à primeira vista, pode parecer ambiciosa, mas que acreditamos plenamente alcançável, desde que tenhamos a vontade e a coragem de Realizar os Sonhos.

Themístocles A. C. Pinho 

 

                                                                                     

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